O arqueólogo Rodrigo Silva comentou, nesta quinta-feira (1º), a repercussão da nova investigação sobre a suposta Arca de Noé na formação de Durupinar, no leste da Turquia. Segundo ele, ainda não existe evidência arqueológica conclusiva de que o local seja uma construção humana.
A formação voltou a ser analisada em 2026 pela expedição Noah’s Ark Scans. O grupo afirma ter encontrado, por meio de varreduras de radar, estruturas subterrâneas que poderiam corresponder a corredores e câmaras.
Uma das integrantes do projeto, Lauren E. Witzke, afirmou nas redes sociais que os equipamentos identificaram três camadas abaixo da superfície.
“Varreduras de radar detectaram três camadas abaixo da superfície da formação; dentro dessas camadas, há câmaras, corredores, padrões organizados e túneis formados por ângulos retos perfeitos”, escreveu.
Witzke também afirmou que cientistas envolvidos na pesquisa teriam descartado a possibilidade de a estrutura ser uma formação natural.
“Cientistas confirmam que a formação NÃO é geológica. Eles afirmam — e aqui cito as palavras deles — que se trata de um ‘objeto feito pelo homem'”, declarou.
Rodrigo Silva, porém, pediu cautela diante das informações que circulam nas redes sociais. Ele lembrou que existem mais de 40 relatos de supostos achados da Arca de Noé ao longo dos anos, sem comprovação definitiva.
“Muito, muito cuidado nessa hora. A primeira coisa que eu peço a todos, todos que amam a palavra de Deus, não sejamos rápidos em acreditar em qualquer matéria, seja ela para um lado ou pro outro”, disse.
O arqueólogo também chamou atenção para imagens compartilhadas sobre a suposta descoberta. Segundo ele, parte desse material foi produzida com inteligência artificial, o que pode dificultar a identificação de registros reais.
“Existe uma diferença entre ser crente e ser crédulo. Jesus pediu para você ser crente, não crédulo. Então vamos com calma, vamos imaginar, vamos avaliar esse achado e ver o que que se pode falar dele”, afirmou.
A formação de Durupinar foi registrada oficialmente em 1959, quando apareceu em uma fotografia aérea feita durante um mapeamento da região. Pesquisas posteriores não encontraram evidências arqueológicas que comprovassem a presença de uma embarcação no local.
Geólogos consideram a estrutura uma formação natural de rochas sedimentares, moldada por processos de erosão. Essa interpretação é contestada por pesquisadores e grupos que defendem a possibilidade de o local estar relacionado ao relato bíblico.
Para Rodrigo Silva, a principal questão continua sem resposta: se a estrutura é realmente resultado de uma construção humana.
“Até setembro de 2026, até esse mês agora, ainda falta a primeira evidência arqueológica inequívoca de que ali exista uma construção humana, que essa não seja apenas uma formação rochosa”, declarou.
Rodrigo também explicou que a referência bíblica às “montanhas de Ararate”, em Gênesis 8:4, não necessariamente indica um monte específico chamado Ararate. A expressão pode estar relacionada a uma região geográfica.
A nova investigação prevê a análise de amostras retiradas do subsolo e o uso de um robô chamado Gopher. A equipe pretende verificar se as estruturas apontadas pelas varreduras correspondem a elementos construídos pelo homem.
Assista:
https://www.youtube.com/watch?v=YUc75EnUe_Y
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