Líderes cristãos condenam violência na França e pedem oração pela paz

Líderes cristãos e igrejas da França se manifestaram após os episódios de violência registrados durante protestos no sábado (17 de outubro). Nas redes sociais, religiosos condenaram os atos de vandalismo, pediram orações pelo país e defenderam o diálogo para que as reivindicações sociais sejam ouvidas.

Segundo o Ministério do Interior francês e os organizadores, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram das manifestações. Os atos reuniram estudantes, sindicatos e integrantes do movimento dos coletes amarelos, que protestavam contra o custo de vida e pediam melhores condições de ensino.

Durante os protestos, houve confrontos, saques e depredações em cidades como Paris, Lyon, Marselha, Lille e Limoges. Nesta última, a prefeitura foi atingida por um incêndio.

Diante dos episódios, a Igreja Impact Jeunesse, de Mulhouse, afirmou que a resposta dos cristãos não deve ser o ódio, mas a oração. “Neste contexto de tensão crescente, nossa resposta não é o ódio, mas a oração!”, publicou a igreja.

A Igreja Nouvel Espoir, de Brest, também expressou tristeza diante das imagens de violência e convocou os fiéis a orar pela França. Já a Igreja Boom, de Marselha, defendeu que os cristãos não permaneçam apenas como espectadores.

A congregação anunciou que iria procurar comerciantes prejudicados pelos atos para oferecer apoio, encorajamento e orações. A iniciativa busca ajudar pessoas afetadas pelos danos causados durante os protestos.

O padre Paul Adrien, conhecido por sua atuação nas redes sociais, também condenou a violência, mas ressaltou que as reivindicações sociais legítimas precisam ser consideradas.

“Jesus condena muito firmemente a violência em todos os Evangelhos, mas é extremamente atento às reivindicações sociais, sobretudo quando são legítimas”, declarou. Ele acrescentou que os cristãos não precisam escolher entre a paz pública e a justiça social.

Bispos pedem diálogo e justiça

A Conferência dos Bispos da França condenou os episódios em comunicado divulgado na segunda-feira. A presidência da entidade classificou os atos como “violências inaceitáveis” e manifestou solidariedade aos feridos e aos comerciantes prejudicados pelo vandalismo.

Os bispos também pediram que a população não se deixe envolver pela escalada de violência. “Nosso país merece mais do que isso”, afirmaram, ao defender que as reivindicações justas sejam ouvidas e consideradas por meio do diálogo e do respeito à justiça.

Em Marselha, o cardeal Jean-Marc Aveline também pediu orações pela paz. Em Lyon, o arcebispo Olivier de Germay condenou os atos violentos. Na cidade, uma caminhada pela paz organizada com representantes muçulmanos, judeus e cristãos de outras denominações precisou ser adiada a pedido das autoridades locais.

O arcebispo de Paris, Laurent Ulrich, afirmou que a violência prejudicou a visibilidade das preocupações legítimas de parte da população, especialmente dos jovens.

As manifestações dos líderes religiosos também reforçam um apelo feito pela pastora Darja Reichör, da Igreja Boom, em artigo publicado em 13 de outubro. Ela defendeu orações pelos jovens, pelas forças de segurança e pelas autoridades, além de pedir que as igrejas saibam ouvir a população e mantenham a esperança.

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